Economia

Construção Civil lida com retomada gradativa e incerta, prevendo queda de 2,5% em seu PIB até o fim deste ano



A construção civil apresentou resultados bastante positivos nos últimos meses, mas ainda lida com um futuro incerto. A expectativa de crescimento prevista no início do ano mudou com a chegada da pandemia. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) avalia a possibilidade de uma queda de 2,5% no PIB do setor até o encerramento deste ano. Segundo a entidade, os rendimentos atuais não são capazes de assegurar uma recuperação consistente do segmento.

Estimulada pela majoração do número de obras de reparo durante a pandemia, a construção civil viveu um período de grandes avanços em 2020. Entre dezembro de 2019 e outubro deste ano, o setor gerou cerca de 138 mil vagas de emprego com carteira assinada no Brasil e acabou incentivando o desenvolvimento de várias outras áreas e segmentos. A comercialização de cimento, por exemplo, registrou uma elevação de 10,1% entre os meses de janeiro e outubro deste ano, tendo por comparação o mesmo intervalo de tempo de 2019.

"A busca por novas obras, tanto por parte de famílias quanto de empresas, aumentou muito ao longo da temporada de isolamento social, principalmente, as de menores proporções. Acredito que o surgimento do auxílio emergencial contribui significativamente para a criação do cenário recente", ressalta o diretor comercial da empresa de revestimentos sustentáveis Ecogranito, Renato Las Casas.

Segundo o empresário, para manter o contexto favorável, o sucesso da construção civil deve ser acompanhado pela boa performance de outros setores. "No entanto, isso não está acontecendo. A retomada econômica está ocorrendo de maneira distinta para cada segmento. Esse fato fica evidente quando observamos alguns dados recentes. Conforme o Sinduscon, as vendas de varejo alcançaram uma alta de 7,8% entre janeiro e outubro, enquanto a produção industrial apresentou um declínio de 4,7% no mesmo período. A pesquisa de Sondagem da Construção, realizada pela FGV-Ibre, ainda mostrou a diminuição das taxas de atividade do setor nos segmentos de instalações, acabamentos, construção, edificações, obras viárias, obras voltadas a criação de túneis, pontes ou viadutos e a preparação de terrenos. Esta análise também revelou que os maiores obstáculos que o setor enfrenta atualmente são baseados na insuficiência de demanda, crescimento da rivalidade e disputa entre empreendimentos do próprio setor e o encarecimento de matérias-primas", comenta.

De acordo com Renato Las Casas, a obtenção de alguns materiais ficou mais difícil, mas isso não chegará a acarretar a escassez dos mesmos. "O problema maior neste momento é a elevação dos preços de produtos que estão sob o domínio de poucos fornecedores, como por exemplo, o PVC, que teve um significativo aumento. Além disso, a alta do dólar, que atingiu os 40% no último ano, afetou a fabricação de todos os materiais provenientes do petróleo", destaca.

"A inércia econômica atrapalha bastante o movimento de recuperação. A situação de incertezas, dúvidas e insegurança acaba adiando a concretização de grandes investimentos no Brasil. Hoje, o nosso país possui intensos problemas fiscais e a sua economia expõe uma produtividade muito baixa. A junção destes fatores faz com que os avanços da construção civil se mostrem instáveis e oscilantes com o passar dos anos", afirma.

Por fim, Renato aponta que de acordo com o Sinduscon, os efeitos do aquecimento do mercado imobiliário durante a pandemia – em razão da evolução do crédito e diminuição das taxas de juros – não foram sentidos em todas as regiões de nosso território. "Esse mercado demonstrou ganhos mais suntuosos em cidades com maiores rendas, como São Paulo, mas o seu deslocamento ascendente não se fez presente no Rio de Janeiro e em Recife, por exemplo. Entretanto, apesar de todo este contexto e a preocupação com os altos preços dos insumos, a previsão é que em 2021 a construção civil se recupere e registre um aumento de 3,8% no PIB", conclui.

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