Educação

Vestibulandos de Rio Preto vão passar o Natal e o Ano Novo estudando



Pela primeira vez desde a criação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as provas do principal vestibular do país serão em janeiro. Até parece ser uma boa notícia para os aproximadamente 6 milhões de candidatos, que terão dois meses a mais para estudar. Mas no meio disso tudo tem as festas de fim de ano - além de todas complicações de um ano letivo virtual.

E muitos vestibulandos vão passar as festas grudados nos livros e nas telas dos computadores. Isso porque, para eles, um mês de revisão faz total diferença para se preparar para as provas e realizar o sonho de ingressar em uma universidade.

Na rede particular, mesmo com a autorização para o retorno das atividades presenciais em cursinhos pré-vestibulares, a maioria dos estudantes optou por continuar em casa. O medo de contrair a doença falou mais alto. Para os que optaram pelo retorno, a retomada das atividades presenciais tem sido um tempo de estudo intensivo com vistas a recuperar o que pode não ter sido aprendido de forma eficaz no período de encontros online.

Com 19 anos, João Gabriel Bianchi pretende ingressar no curso de medicina. De olho nas mudanças do Enem 2021, tem procurado se adaptar. "Em questão da prova, eu até estou fazendo todos os simulados de máscara. Porque a gente não é acostumado a ficar tanto tempo de máscara em casa. Além disso, eu comecei a me tratar com um psicólogo para controlar a ansiedade. A gente precisa ficar calmo na hora, se não prejudica nosso desempenho", disse João Gabriel.

Ex-aluno de escola pública, ele ingressou no cursinho comunitário Atlas do Ibilce para se preparar, mas com a pandemia precisou adaptar sua rotina aos estudos remotos. Conciliando com o trabalho, ele tem usado as últimas semanas para revisar os conteúdos. "Nessa reta final, sempre revejo o que já vimos, tento administrar também tempo e foco bastante em escrever redações", falou.

Atitude de revisão que é aconselhada por quem há anos prepara candidatos para os principais vestibulares do País. "É importante que o aluno compreenda que realizou o necessário e o possível dentro das condições reais de cada um no ano de 2020. Nesse momento, refazer as provas anteriores pode ser um caminho interessante ou revisar os pontos que aparecem com frequência nos vestibulares os quais prestarão", afirmou o professor de ensino médio e de cursinhos pré-vestibular Henrique Faria Bello.

Pedro Henrique Rodrigues, 19 anos, diz ter encontrado bastante dificuldade para estudar em casa. O motivo é a dispersão mais fácil no ambiente familiar. "Tem uma série de coisas que impede você de estar 100% estudando em casa. No meu caso, são seis pessoas. Tem minha mãe, padrasto e três irmãos pequenos. Isso se torna complicado para concentração", falou.

Dificuldades que levaram muitos estudantes a desistirem até de fazer a prova nesse ano. É o caso de Ana Beatriz Rodrigues Nunes, de 17 anos. Ela optou por adiar a realização para o ano que vem pelas dificuldades de estudar em casa. "Como tive muita dificuldade nas aulas online, deixei para o ano seguinte", disse a estudante.

A desistência de muitos representa uma maior oportunidade para ingressar no curso superior. Isso porque caiu o número de inscritos nos vestibulares, em comparação com o ano passado. Somente no vestibular da Unesp, foram 80.474 inscritos neste ano, contra 95.440 do ano passado. Uma queda de 16% do número de candidatos.

"É uma corrida contra o tempo. A rotina de estudos em casa é muito diferente, tem dia que você está muito motivado e no outro você olha para cama e quer dormir, mas não desisto. Estudo baseado nas provas recentes e anteriores. Tudo para conseguir passar", falou Pedro.

Para quem não conseguiu estudar e assimilar o conteúdo durante o ensino remoto, o professor Henrique aconselha que o estudante reconheça que a dificuldade é para todos. "Infelizmente, alguns não tiveram acesso ou condições de acompanhar o conteúdo. Estar em um processo implica em não desistir, portanto fazer a prova implica em mostrar o quê se construiu, não em um ano, mas sim desde a formação inicial", destacou.

Prova na pandemia
Segundo o edital do Ministério da Educação, o candidato terá que comparecer e permanecer durante toda a aplicação da prova de máscara. Quem não tiver, não poderá nem mesmo entrar no local de aplicação. O único momento em que será permitido a retirada do acessório será durante a identificação do estudante.

O edital da prova também diz que o uso da máscara é dispensado para pessoas com autismo, deficiência intelectual, deficiências sensoriais ou outras deficiências que as impeçam o uso adequado.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização da prova, também diz que pessoas do grupo de risco farão as provas em salas especiais, locais com lotação máxima de 12 participantes. Neste ano, a prova será aplicada em 16 cidades da região.

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